Os erros e acertos na escolha do parceiro

As forças por trás da nossa escolha de um parceiro são formidáveis
As forças por trás da nossa escolha de um parceiro são formidáveis

Como escolhemos as pessoas por quem nos apaixonamos? A resposta para essa questão, segundo o ponto de vista do romantismo, é que nossos instintos naturalmente nos levam àquelas pessoas que são amáveis e boas conosco. 

O amor é uma espécie de êxtase que desce à terra quando nos sentimos na presença de uma alma caridosa, que tomará conta de nossas necessidades emocionais, entenderá nossas tristezas e nos dará forças para superar as maiores dificuldades em nossas vidas. A fim de encontrar esse amor, precisamos deixar nosso sexto sentido nos guiar, não podemos de forma alguma obstruí-los com análises excessivas e julgamentos sociais, baseados em status e linhagem. Nosso instintos irá nos avisar quando tivermos chegado à nossa destinação.  

É possível que o êxtase reverenciado pelos românticos tenha fundamento na natureza? Existem forças criadas pela Natureza que determinam quem são as pessoas por quem nos apaixonamos?

Quando nos perguntamos por que nos apaixonamos, costumamos responder: porque “bateu”. Mas o quê isso significa exatamente?

Nosso corpo reage de forma diferente com cada pessoa

Bem, a resposta é que nosso corpo reage de forma diferente com cada pessoa, e quando estamos perto de pessoas com as quais temos compatibilidade genética, nossos corpos produzem diversas reações, como o aumento do fluxo sanguíneo, frio na barriga, sensação de perda de controle.  

Agora, o que quer dizer compatibilidade genética entre duas pessoas? Quer dizer que se essas duas pessoas procriarem, a descendência será mais saudável e terá maiores chances de sobrevivência. Isso porque a variedade genética dos genitores apresentam menores chances de acidentes biológicos.

E quais são os mecanismos que nos fazem sentirmos especiais quando estamos na presença de um companheiro geneticamente compatível? Os humanos (e outras espécies) liberam substâncias químicas chamadas “feromônios” ou feromonas (do grego “phero”  transmitir e “hormona” e excitar). Os feromônios secretados ou excretados são capazes de suscitar respostas de tipo fisiológico e/ou comportamental em outros membros que estejam num determinado raio do espaço ocupado pelo emissor. Em prática, os feromônios são detectados pelas narinas (fenômeno diferente do olfato) e se são compatíveis, eles afetam a parte emocional do cérebro e desencadeiam uma série de reações químicas que lançam as bases para a paixão e todas aquelas sensações maravilhosas que acompanham esse sentimento tão especial.

Os feromônios são porteiros do nosso código genético e são sentidos pela outra pessoa.
Os feromônios são portadores do nosso código genético e são sentidos pela outra pessoa.

Em conclusão, duas pessoas geneticamente compatíveis, que podem reproduzir crianças com maiores chances de sobrevivência (do ponto de vista biológico) sentirão uma atração física maior comparados às pessoas que não são compatíveis.

Pois então será que os românticos tinham alguma razão?

A atitude romântica parece boa e generosa. O único problema é que seguir nossos instintos, podem algumas vezes, nos trazer muitos problemas. Nós humanos não somos apenas senhores dos nossos corpos, mas também da nossa psique. Portanto devemos também examinar essa dimensão, especialmente porque sabemos que a psicologia pode superar os sentimentos naturais e mais genuínos. Em outras palavras: o que o corpo nos diz que é bom, mas muitas vezes pode ser bloqueado pela nossa psique.  

Outra escola de pensamento, influenciada pela psicoanálise, desafia a ideia que os instintos invariavelmente nos levará àquelas pessoas que irão nos fazer feliz.   

Essa teoria insiste no ponto em que nos apaixonamos por aqueles aos quais nos identificamos de uma maneira ‘familiar”. O amor adulto emerge de um modelo criado durante a infância misturado com uma série de obsessões que desenvolvemos ao longo da vida.

Será que nos apaixonamos por aqueles aos quais nos identificamos de uma maneira ‘familiar”?

Podemos acreditar que estamos procurando o amor, mas o que realmente estamos buscando é família. Tentamos recriar em nossas relações adultas os sentimentos que vivenciamos durante a infância, e aos quais foram muitas vezes limitados à ternura e cuidados.

O amor que a maioria de nós já vivenciou foi confundido com outros sentimentos, como por exemplo os sentimentos destrutivos de quando privados da atenção dos pais ou da frustração de não termos conseguido comunicar nossos sentimentos como gostaríamos.

Qual seria a lógica então, pela qual devemos, como adultos, rejeitar certos candidatos não porque eles seriam errados, mas porque eles são simplesmente certos demais – no sentido em que parecem excessivamente maduros, compreensíveis e confiáveis – sentir isso no coração pode causar estranhamento e um sentimento de não merecimento. Procuramos mais emoções, não porque a vida assim seria mais harmoniosa, mas porque somos condicionados inconscientemente pela reafirmação das frustrações familiares.

Por que rejeitar certos candidatos que são certos demais?
Por que rejeitar certos candidatos que são certos demais?

A psicoanálise define esse processo com o qual nos identificamos ‘causa objeto’ – e recomenda que façamos um esforço para entender os fatores semi-inconscientes que governam nossas atrações e fim de interromper o comportamento prejudicial que entra em jogo.

A psicoanálise não diz que todas as nossas atrações serão deformadas. Podemos ter aspirações legítimas e qualidades positivas: inteligência, charme, generosidade. Mas podemos também ser levados por tendências mais complicadas: alguém que está sempre ausente, ou que nos trata com um pouco de descaso, ou que tenha sempre problemas financeiros. De toda forma, por mais paradoxal que possa ser sem essas peculiaridades, poderíamos simplesmente não ter a capacidade de nos apaixonar.

Outro cenário pode ser também que sejamos tão traumatizados por nossos pais, que acabamos evitando o contato com qualquer pessoa que tenha traços de personalidade semelhantes à algum deles.

Os traumas adquiridos na infância permanecerem no plano subconsciente.
Os traumas adquiridos na infância permanecerem no plano subconsciente.

Para escolher nossos parceiros de forma sadia, precisamos analisar como nossas tendências para o sofrimento e/ou como evitamos nossos traumas podem influenciar nossas atrações. Um bom começo pode ser o seguinte exercício: pegue um caderno, uma caneta e anote porque algumas pessoas não nos atrai. Durante o exercício devemos reconhecer que emoções tais quais repulsão ou nojo, quando identificamos em alguns traços, talvez não sejam tão negativos quanto pensamos. É muito importante que sejamos profundamente honestos para que possamos descobrir aspectos interessantes sobre nossa própria psicologia. 

Podemos até descobrir que mesmo boas qualidades, como pessoas que são eloquentes, inteligentes, iluminadas não nos atrai. Devemos tentar entender de onde vem as aversões, quais aspectos do nosso passado moldaram nosso caráter e preferências. Cada vez que reconhecemos algo negativo, descobrimos uma associação crucial em nossa mente: estamos bloqueando o amor por uma associação com o passado e projetando-o no presente.

As associações podem ter virado regras em nossas relações. Mesmo que não possamos mudar radicalmente essas regras é importante saber reconhecê-las.  No final das contas somes livres para amar pessoas diferentes dos tipos que pré-definimos, porque podemos encontrar as qualidades que gostamos, e aquelas que tememos, em diferentes combinações na mesma pessoa.

Temos que ser livres para amar pessoas diferentes dos tipos que pré-definimos.
Temos que ser livres para amar pessoas diferentes dos tipos que pré-definimos.

Portanto depois de ter feito sua tarefa de casa, se ‘auto-analisando’ e desmistificando algumas de suas características psicológicas, aprenda como evitar as barreiras desnecessárias dos traumas do passado. É tempo de dar uma chance àquela pessoa que esteja fazendo seu corpo dar voltas e andar na velocidade de uma montanha russa.

Um almoço descontraido cria um bom ambiente para conectar com uma pessoa
Um almoço descontraído cria um bom ambiente para conectar com uma pessoa

Sinta-se livre para sair e encontrar pessoas, crie chances ao acaso e aprenda a escutar seu corpo. Uma vez que você tiver aprendido a linguagem de seus instintos você se sentirá mais confiante e seguro.  Eu sempre sugiro a meus leitores que tomem iniciativas, como por exemplo convidar uma pessoa para um almoço informal, onde você se sentirá totalmente à vontade para conectar-se primeiramente com você e consequentemente com seu potencial parceiro.

Para motivá-los nessa jornada, caros leitores, eu estou lançando o aplicativo Lobstr: encontre alguém para almoçar, disponível na Apple App Store e Google Play Store (Brasil). 

www.getLobstr.com

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